Diretor Acadêmico da FDC, Marcello Brito, participa da Bioeconomy Amazon em Belém

Entre os dias 12 e 14 de maio de 2026, Belém (PA) sediou a terceira edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS), um dos principais eventos voltados à inovação, sustentabilidade e bioeconomia na Amazônia. O encontro reuniu empreendedores, investidores, pesquisadores, representantes do setor público, organizações multilaterais e comunidades tradicionais, com o objetivo de debater soluções que conciliem desenvolvimento econômico e preservação ambiental, além de fomentar negócios sustentáveis baseados na biodiversidade da região. A edição de 2026 contou com a participação de mais de 130 startups e cerca de 60 instituições, consolidando o evento como um espaço estratégico de articulação entre ciência, mercado e saberes tradicionais. 

O Diretor Acadêmico da FDC Agroambiental, Marcello Brito, participou do painel “Logística e Infraestrutura na Amazônia”, realizado no dia 12 de maio. Durante o debate, destacou-se que, embora haja crescente atenção ao desenvolvimento sustentável da região por meio da bioeconomia e do processamento de bioativos, ainda persistem desafios estruturais significativos para o acesso aos mercados. Segundo os especialistas presentes no painel, o principal gargalo está na logística de escoamento da produção, que, em muitos casos, inviabiliza economicamente iniciativas produtivas na Amazônia. 

Outro ponto enfatizado durante o painel foi a limitação das discussões atuais sobre infraestrutura na região. De acordo com os participantes, o debate ainda é restrito e pouco avança em propostas concretas relacionadas à ampliação e integração de modais logísticos, como hidrovias, ferrovias e rodovias. Nesse contexto, reforçou-se que não há desenvolvimento sustentável sem investimento estratégico massivo em infraestrutura, sendo fundamental destravar o diálogo e ampliar a agenda de soluções para a região. 

Marcello Brito também destacou a importância de alinhar crescimento econômico à responsabilidade socioambiental, afirmando que: “Uma sociedade que não consegue mitigar os danos do seu desenvolvimento, ou que não compensa os danos ocasionados por ele, não está preparada para evoluir e atender às demandas sociais, ambientais e econômicas de sua população.” 

No dia 13 de maio, Marcello participou ainda do painel sobre investimentos na Amazônia, que teve como questão central a prontidão do capital para aportes na região. Durante a discussão, os painelistas ressaltaram que, apesar do avanço na geração de dados e no mapeamento de oportunidades produtivas, o volume de investimentos ainda é limitado.

A principal barreira identificada está relacionada à percepção de risco. Segundo os especialistas, o capital ainda não está plenamente preparado para assumir os desafios associados a regiões tropicais complexas, como a Bacia Amazônica, realidade essa também observada em outras regiões tropicais semelhantes, como a Bacia do Congo. As atuais premissas de investimento, marcadas por baixa tolerância a riscos elevados, acabam restringindo o fluxo de recursos necessários para impulsionar o desenvolvimento sustentável nesses territórios.

A participação da FDC no BAS 2026 reforça o papel da instituição nos debates estratégicos sobre inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, especialmente em agendas críticas como a bioeconomia amazônica.