A professora Ludmila Rattis, do FDC Agroambiental (Fundação Dom Cabral), participou do 64º encontro do Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice (SBSTA), realizado entre os dias 8 e 18 de junho em Bonn, na Alemanha. Considerado uma conferência técnica da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o SBSTA funciona como uma etapa preparatória para as Conferências das Partes (COPs), reunindo governos, setor privado, organizações e sociedade civil para discutir evidências científicas e diretrizes que subsidiarão decisões globais sobre clima.
Ao longo de cinco dias de agenda, a FDC integrou rodadas estratégicas de diálogo sobre financiamento climático, adaptação e mitigação das mudanças climáticas, com ênfase na segurança alimentar e na agricultura sustentável — temas prioritários para países em desenvolvimento e centrais nas negociações internacionais.
A participação teve início no dia 9 de junho, com a presença da professora Ludmila no “Café Mundial” promovido pelo Sharm El-Sheikh Joint Work on Implementation of Climate Action on Agriculture and Food Security. O grupo reúne especialistas e instituições para debater mecanismos de financiamento, métricas de adaptação e estratégias para promover a resiliência dos sistemas alimentares frente às mudanças climáticas.
No dia seguinte, Ludmila acompanhou o lançamento dos eixos da Agenda de Ação rumo à COP 31, que será realizada em Antália, na Turquia. A agenda mobiliza atores não governamentais — os chamados non-parties stakeholders , incluindo empresas, governos subnacionais e sociedade civil — na construção de soluções concretas para a agenda climática. Um dos destaques foi o eixo voltado à agricultura sustentável, que busca alinhar esforços internacionais e consolidar entregas efetivas até a COP. Durante o encontro, o Climate Champion Dan Ioschpe ressaltou o avanço significativo das iniciativas lideradas por esses atores nos últimos meses e reforçou a importância de resultados concretos na próxima conferência. Nesse contexto, foi destacada a atuação do FDC Agroambiental no desenvolvimento do Modelo de Agricultura Regenerativa Tropical, iniciativa que integra diferentes esforços de diferentes atores para acelerar a transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes no Brasil e em outros países tropicais.
Entre os dias 8 e 10 de junho, a professora também participou de workshops do grupo de agricultura da UNFCCC, focados em medidas de adaptação, mitigação e segurança alimentar. Os encontros evidenciaram a necessidade de ampliar o acesso a financiamento climático para o setor agrícola — atualmente, apenas cerca de 4% dos recursos globais são destinados à agricultura, sendo menos de 1% voltado especificamente à adaptação climática. Especialistas destacaram ainda a importância de fortalecer mecanismos de implementação, incluindo investimentos em tecnologia e inovação.
No dia 13 de junho, Ludmila Rattis integrou o painel oficial do SBSTA intitulado “Das iniciativas de sistemas alimentares do Sul Global para a implementação do Acordo de Paris”, ao lado de representantes de organizações como Instituto Regenera, Imaflora, Instituto Comida do Amanhã, Universidade de São Paulo (USP) e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O debate abordou experiências e propostas do Sul Global para acelerar a transição para sistemas alimentares sustentáveis, com destaque para iniciativas relacionadas à COP30 e à promoção da justiça climática.
Além dessas atividades, a agenda incluiu reuniões com organizações internacionais, como a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), voltadas ao fortalecimento de parcerias e à qualificação de dados sobre bioeconomia.
A participação da FDC no SBSTA 64 reforça o papel da instituição no debate internacional sobre clima e agricultura, contribuindo com conhecimento técnico e articulação estratégica para o avanço de soluções sustentáveis alinhadas aos desafios globais.