O evento contou com a participação do professor Guilherme Raucci, da Fundação Dom Cabral, que apresentou evidências de mercado e casos concretos demonstrando que a agricultura regenerativa está avançando para além do discurso ambiental e se consolidando como uma oportunidade real de geração de receita para os produtores. Segundo Raucci, o setor vive uma transformação em que os resultados ambientais passam a ser reconhecidos e remunerados por diferentes agentes das cadeias produtivas.
Ao longo da apresentação, foram destacados exemplos de iniciativas já em funcionamento na América Latina e em outros mercados, nas quais produtores recebem incentivos financeiros pela adoção de práticas sustentáveis, pela geração de benefícios ambientais e pela contribuição para metas de descarbonização corporativa. Um dos destaques foi a demonstração de que a agricultura regenerativa está criando novas fontes de receita associadas a créditos de carbono, programas de incentivo empresarial, serviços ecossistêmicos e mecanismos de valorização da produção sustentável. A previsão é de que os primeiros créditos de carbono da agricultura sejam comercializados entre 2026 e 2027.
Durante sua fala, Raucci ressaltou que a agricultura regenerativa vem ganhando uma nova perspectiva no mercado. “A agricultura regenerativa passa a ser vista pela lente da resiliência e conectada a outros benefícios, como nutrição e qualidade dos alimentos”, destacou o professor. Segundo ele, o conceito evolui para além dos pagamentos de prêmio sobre a tonelada produzida, dando origem a um ecossistema mais amplo de soluções facilitado o acesso a insumos biológicos, programas corporativos de incentivo e melhores condições de crédito junto aos bancos.
Nesse contexto, produtores que adotam práticas regenerativas tendem a apresentar menor risco produtivo e climático, característica cada vez mais considerada por instituições financeiras. Conforme abordado no encontro, essa realidade já começa a se refletir em melhores condições de financiamento e na ampliação da confiança por parte de bancos e investidores, que enxergam nesses produtores maior capacidade de adaptação e resiliência frente aos desafios climáticos.
A apresentação também abordou temas como a evolução dos mercados de carbono, as diferenças entre estratégias de offsetting e insetting, o papel dos compromissos corporativos de descarbonização, a importância dos sistemas de monitoramento, relato e verificação (MRV) e o surgimento de novos modelos de negócios voltados à valorização de impactos ambientais positivos.
O encontro contou com 107 participantes, sendo 40 presenciais e 67 conectados de forma online, demonstrando o crescente interesse do setor por temas relacionados à agricultura regenerativa, mercados ambientais e mecanismos de valorização da produção sustentável.
A iniciativa integra o ciclo de Diálogos Agroambientais, promovido pelo Centro FDC Agroambiental, que busca fomentar debates qualificados sobre os desafios e oportunidades da transição para sistemas produtivos mais sustentáveis. Ao conectar conhecimento científico, experiências práticas e tendências de mercado, os encontros contribuem para ampliar a compreensão sobre como sustentabilidade, competitividade e geração de valor estão cada vez mais interligadas no agronegócio.