Nos dias 3 e 4 de agosto, o FDC Agroambiental participou do Fórum de Produtividade e Sustentabilidade, promovido pelo Instituto Itaúsa, contribuindo para discussões estratégicas sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. O evento reuniu representantes do setor privado, academia, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e especialistas para debater caminhos capazes de conciliar crescimento econômico, competitividade, sustentabilidade e inovação.
A programação teve início com a defesa de uma tese que permeou todo o encontro: produtividade e sustentabilidade não são agendas concorrentes, mas complementares. Na abertura, lideranças da Itaúsa destacaram a importância de qualificar o debate nacional por meio de evidências, aprendizado a partir de experiências bem-sucedidas e da valorização do conhecimento daqueles que atuam diretamente nos territórios e nos sistemas produtivos.
No primeiro dia, Marcello Brito, representante do FDC Agroambiental, integrou o painel que discutiu os caminhos para aumentar a produtividade brasileira de forma sustentável. As discussões destacaram desafios históricos relacionados à alocação de recursos, infraestrutura, capital humano, tecnologia e governança, além da necessidade de proteger e valorizar o capital natural como ativo estratégico para a competitividade do país. Destacou-se também que o Brasil reúne condições singulares para combinar produtividade, segurança alimentar e enfrentamento das mudanças climáticas.
Já no segundo dia, Marcello Brito conduziu a mesa de diálogo sobre "Uso da Terra, Água e Sistemas Alimentares: Produtividade, Risco e Competitividade", que reuniu representantes do agronegócio, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e especialistas em sustentabilidade. A conversa avançou para um tema central: a necessidade de superar a visão tradicional de produtividade agrícola baseada apenas em volume produzido e adotar uma abordagem mais ampla, orientada pela chamada produtividade integrada.
Nesse novo paradigma, produtividade passa a incorporar não apenas toneladas produzidas por hectare, mas também critérios como valor econômico gerado, eficiência no uso da água e dos insumos, conservação do capital natural, redução dos riscos climáticos, geração de renda e qualidade dos produtos. A proposta apresentada ao longo dos debates foi que o desafio do Brasil não é apenas produzir mais alimentos, mas construir o sistema de uso da terra mais competitivo, resiliente e sustentável do mundo.
Outro destaque foi a construção de uma visão compartilhada sobre a necessidade de um Roadmap Nacional da Transição do Uso da Terra , capaz de alinhar políticas agrícolas, financiamento, ciência, tecnologia, bioeconomia, inovação e agendas climáticas.
As discussões também abordaram temas como financiamento da transição para sistemas produtivos mais sustentáveis, gestão de riscos climáticos, ampliação do seguro rural, valorização da biodiversidade, rastreabilidade, bioeconomia e agregação de valor às cadeias produtivas. Um consenso emergiu ao longo do debate: o país precisa preparar-se para competir nos mercados do futuro, que valorizam cada vez mais qualidade, rastreabilidade, carbono, biodiversidade e serviços ecossistêmicos, e não apenas volume de produção.
A participação do FDC Agroambiental reforça seu compromisso com a construção de soluções inovadoras para os desafios da agricultura, do uso da terra e do desenvolvimento sustentável, contribuindo para o diálogo entre diferentes atores e para a formulação de agendas estratégicas que fortaleçam a competitividade do Brasil nas próximas décadas.